16 de agosto de 2022 Relatórios

Estudo analisa a relação das mulheres com o ecossistema empreendedor

Dados revelam que as empreendedoras brasileiras possuem acesso restrito a investimentos, tecnologia e parceria com grandes empresas.

Empreender é uma jornada difícil. Empreender no Brasil pode ser mais desafiador ainda. Segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor (GEM) de 2019, 54,5 milhões de pessoas empreendem no país, sendo que destas, 47,3% são mulheres, ou seja, quase metade. Mas será que apesar da representatividade considerável, a relação das mulheres com o ecossistema empreendedor, principalmente o de inovação, é positiva? Como é o acesso dessas empreendedoras a recursos como investimento, oportunidades e tecnologia? Foram essas questões que o relatório “Mulheres e o Ecossistema Empreendedor” buscou responder.

Para isso, contamos com a parceria da PWN São Paulo, associação global que atua para fortalecer a rede profissional de mulheres e alcançar a liderança balanceada de gênero, na elaboração de uma pesquisa quantitativa. A ação também teve o apoio da ElaVence, plataforma para o desenvolvimento de lideranças femininas fundada pela Camila Farani, na divulgação do questionário.

Ao todo, foram 1.180 empreendedoras respondentes de todos os estados do país — desde as donas de micro e pequenos negócios, até médias empresas e fundadoras de startups . Além disso,  realizamos entrevistas de profundidade com 27 mulheres que desempenham papéis importantes neste ecossistema, como investidoras, empreendedoras, gestoras de habitats de inovação e executivas de grandes empresas. A ideia era entender buscando assimilar quais são as recomendações e intervenções mais urgentes para que uma mudança real desse paradigma seja possível.

A jornada das empreendedoras brasileiras

Quando recortamos o olhar para a jornada feminina no ecossistema empreendedor, é possível notar que há diversos fatores que podem dificultar — e também facilitar — o sucesso delas e, consequentemente, dos seus negócios. Alguns dos principais achados, são:

  • O acesso a tecnologia ainda é baixo: 44,6% das respondentes não desenvolveram as soluções do negócio com base em tecnologia;
  • Poucas empreendedoras têm acesso a capital: 59% delas não conseguiram investimento para abrir os seus negócios;
  • Redes de apoio foram importantes para a consolidação de  58% dos empreendimento liderados por mulheres;
  • Sociedades mistas apontam para melhor desempenho: 34,96% dos negócios com este perfil declararam resultado positivo ;
  • Parcerias com grandes empresas auxiliam no desempenho: 50,4% das empreendedoras que possuem parcerias dizem ter um bom desempenho.

Os números acima mostram que investimentos, tecnologia, redes de apoio e a proximidade com grandes empresas são de extrema importância para o sucesso dos negócios liderados por mulheres. Além dos pontos citados, a investigação realizada neste relatório revelou que existe um desafio ainda mais complexo de ser resolvido: o cultural. 

Iana Chan, CEO da Programaria, uma das mulheres entrevistadas para o estudo, acredita que aumentar a representatividade das mulheres no ecossistema de inovação é essencial para que cada vez mais empreendedoras enxerguem essa jornada como um caminho possível.Não faz parte do imaginário da nossa sociedade mulheres que empreendem com tecnologia, que arriscam, que tomam empréstimos, até mesmo pela nossa criação e pelo papel que se espera que a mulher desempenhe. Claro que existem exceções, mas, de forma geral, isso faz com que menos mulheres se vejam nesse ambiente e busquem esses caminhos. Precisamos sair um pouco do discurso que diz que a mulher não tem interesse, e investigar de onde esse interesse é construído e como essas oportunidades chegam ou não para esses grupos”, diz.

Você pode baixar o material completo clicando no botão ao final do texto, ou, se preferir, assista a live com os principais resultados do relatório.

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