Confira a entrevista do Liga Insights com Rafael Pereira, Presidente da ABCD e CEO da Rebel, sobre o papel das fintechs no movimento de Open Banking
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Rafael Pereira, Presidente da ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital) e CEO da Rebel, foi um dos entrevistados para o estudo Liga Insights Open Banking, lançado em julho de 2019. Durante a entrevista, ele comentou o papel das fintechs dentro do movimento de Open Banking.
O estudo completo está disponível para download neste link.
Fundado em 2016, a ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital) é uma organização das fintechs de crédito focada na difusão do acesso aos serviços financeiros no país que, atualmente, conta com 20 empresas associadas. A Rebel é uma fintech que oferece uma plataforma digital de empréstimos pessoais. Em 2019, captou R$ 167 milhões em investimentos.
Rafael Pereira possui ampla experiência no mercado de tecnologia, tendo cursado bacharelado em Administração de Empresas pela PUC-RJ e MBA em Administração pela Columbia. Desde 2017 é CEO da Rebel e, desde 2016, presidente da ABCD.
Confira a seguir a entrevista na íntegra:
Rafael Pereira – ABCD / Rebel (RP) – O nosso objetivo é fazer isso por meio do uso de tecnologia e inovação. O mercado de crédito no Brasil, de forma ampla, é um mercado com uma série de problemas estruturais que não são possíveis de discutir em uma estratégia muito pulverizada. Então criamos uma associação que pudesse discutir o tema como indústria. A ABCD busca ajudar nessa discussão de como a tecnologia pode mitigar uma série de desafios desse setor.
RP – O processo de desbancarização ocorreu porque a indústria ficou cara, essa é a grande realidade. O sistema financeiro no Brasil ficou muito complexo sem necessidade. Quando você pensa no sistema financeiro, ele é meio para todas as outras atividades que você exerce. É um sistema que deveria ser eficiente e o mais barato e transparente possível para a sociedade. Quando a gente olha efetivamente para o mercado de desbancarizados e olha os custos de produtos e serviços, eles são muito altos, justamente porque existe uma falta de concorrência e muitas barreiras de entrada de novos players nesse setor. Com o Open Banking, existe uma possibilidade de se reduzir muito o custo de efetivamente transacionar no sistema. E isso vai levar a uma inclusão maior. Os desbancarizados são excluídos por uma questão de custo, e não por uma questão de não entender o serviço ou por falta de disponibilidade.
RP – O grande diálogo hoje na indústria é o que será regulamentado pelo BC, como papel de regulador, e o que é esperado de autorregulação por parte da indústria. Não há um modelo hoje em que os próprios grandes bancos vão partir para um modelo de dar acesso a novos entrantes, porque eles têm uma razão econômica para não fazer. Então, essa abertura vai ter que vir pela forma de regulamentação. A gente apoia totalmente a iniciativa nesse sentido.
Com relação aos riscos, existem as preocupações acerca da segurança dos dados, mas que não é uma realidade só do setor financeiro, é uma realidade da nossa sociedade como um todo.
RP – O interessante no modelo das fintechs é que a dinâmica do jogo muda. Não é mais um jogo de agência, é um jogo de tecnologia. A nossa sociedade é tecnológica, há uma revolução tecnológica acontecendo. Essa dinâmica competitiva entre bancos e fintechs, que na minha visão é uma coopeticão (competição + cooperação), vai trazer muitos benefícios à sociedade, e as fintechs têm um papel muito importante nesse modelo.
Confira o estudo completo Liga Insights com o tema Open Banking!