Programas Corporativos: O que oferecer para atrair as melhores startups - Liga Ventures

Como parte do meu trabalho aqui na Liga Ventures, converso todos os dias com executivos e líderes de grandes empresas cheios de boas e legítimas intenções e ávidos em desenvolver programas estruturados com startups. Muitos deles ainda não sabem direito o que esperar dessas relações, nem quais modelos de aproximação adotar, e, na maioria dos casos, têm muitas dúvidas em estabelecer o conjunto de benefícios que pretendem oferecer às startups em seus programas.

A gente não quer só comer. A gente quer comer e fazer inovação

Houve um tempo, não muito distante, em que as grandes empresas acreditavam que a marca e reputação forjadas durante anos no mercado tradicional por si só seriam suficientes para que as startups formassem uma fila na porta e implorassem por um prato de comida para fazer negócio com elas.  

Esse tempo passou. Hoje são as grandes empresas que têm ido a campo em busca de startups e inovações tecnológicas. E com uma infindável quantidade de programas que as grandes empresas têm criado para se relacionar com startups, uma obviedade vem à tona: quanto mais e melhores os benefícios oferecidos pelas grandes empresas, maiores as chances de atrair as melhores startups e maior a chance do seu programa ter sucesso. O que talvez não seja tão óbvio nesse caso é como o ecossistema percebe e compara os benefícios oferecidos e como isso pode determinar o estágio das startups que se interessarão pelo programa. Abaixo listo os benefícios mais comumentes oferecidos pelas grandes empresas para que startups participem dos seus programas:


Espaço e infraestrutura   

Normalmente esse é o primeiro que vem a cabeça de quem está pensando em se relacionar com startups. Algumas empresas limitam o tempo de uso das instalações de acordo com a duração do programa (de 3 a 12 meses). Outras vinculam a permanência ao alcance de resultados previamente combinados.

Oferecer espaço pode ajudar a atrair startups em early stage, que ainda contam com um time pequeno, de no máximo 10 funcionários. Para as startups em estágio mais avançado e consequentemente com times maiores, esse benefício pode ser pouco relevante. Os empreendedores normalmente já estão instalados em um lugar próprio e não vão querer deslocar todo o time somente por um tempo limitado. Outro ponto importante é que há uma gama considerável de hubs de inovação no país oferecendo espaço a preços bem acessíveis ou até mesmo de graça para startups. O espaço passa a ser um diferencial se ali há muita circulação de empresas e agentes do ecossistema que permitam a startups fazer conexões e gerar negócios.

Viagens e mentorias internacionais

Muitos programas oferecem a oportunidade das startups fazerem imersões no exterior, nas sedes das multinacionais ou em hubs de inovação internacionais. O canto da sereia de conhecer o Vale do Silício, por exemplo, já foi mais sedutor, mas ainda atrai startups interessantes. As startup mais maduras entendem que uma viagem que retire os founders do dia a dia da operação só vale a pena quando:

  • A startup está em processo de internacionalização
  • A startup deseja fazer benchmarking com outras startups no mesmo mercado
  • Há a oportunidade de conversar com um mega especialista no tema que a startup está trabalhando

As startups ainda em estágio inicial se interessam por esse benefício, mas mais com um caráter de “safari no Vale” em busca de aprendizado e inspiração.

Dinheiro

Quem não quer dinheiro? As startups não são diferentes, mas esse benefício pode ser oferecido em montantes distintos e, claramente, com diferentes contrapartidas.
Uma ajuda de custo pode ser oferecida para que os empreendedores de outras regiões se instalem e vivam na cidade. Costumamos chamar isto aqui na Liga de Survival Money, Normalmente engloba um valor suficiente para os founders dividirem um Airbnb e se alimentarem. Outra opção é apoiar a startup pagando por alguma parte do desenvolvimento do produto ou lote piloto. Esse tipo de apoio financeiro costuma ser mais frequente com startups de hardware, cujos custos de setup sempre são maiores. Há também a opção de investimento por troca de equity.  Esse modelo tem uma série de considerações, que o Daniel Grossi, co fundador da Liga e responsável pela área de Seleção de startups, detalhou melhor no post  “Minha empresa deve ou não investir em uma startup em troca de participação societária?”. Neste texto abordamos os principais aspectos que devem ser considerados nessa decisão.

Mentorias

Um programa com mentorias é algo bem atrativo para as startups. É primordial nesse caso ter uma rede de mentores que seja relevante, reconhecida pelo ecossistema e com especialistas em diversas áreas. Deve-se evitar o pensamento comum em grandes empresas de “Já que precisa arrumar um função para o fulano, aloca ele para mentorar startups”. Um fenômeno interessante é que muitos executivos, na tentativa de se atualizar, acabam se voluntariando para ser mentores. Cabe aqui um olhar crítico se o executivo realmente vai conseguir contribuir com as startups. Outro cuidado importante é com o  conteúdo das mentorias, que não pode ser genérico demais. Lembre-se que um programa de mentorias não é um MBA em empreendedorismo.

Oportunidades de gerar negócios com sua empresa

Nossa experiência na Liga Ventures com 15 chamadas para programas corporativos e mais de 50 startups aceleradas comprovou que esse é o sonho de consumo das startups que desejam se engajar com grandes empresas. Parcerias comerciais, acesso aos canais de distribuição, co-desenvolvimento, pilotos ou a simples contratação dos serviços são formas de gerar negócios entre a sua empresa e as startups. No entanto, isso não pode ficar somente no discurso. É importante que a grande empresa se prepare para fazer negócio com as startups, engajando os executivos, criando fast-tracks e processos mais leves.

Descontos em serviços e parcerias

Já é quase um padrão nos programas corporativos ou abertos oferecer serviços a baixo custo ou mesmo gratuitos para as startups como forma de atraí-las. Alguns exemplos desse modelo são a oferta de créditos para uso de cloud, taxas de meios de pagamento mais acessíveis e período gratuitos de assessoria jurídica e contabilidade. Alguns programas inclusive contabilizam esses itens em reais para dar aos empreendedores a dimensão do benefício. Se a sua empresa, de alguma forma presta serviços que possam ser oferecidos às startups, é interessante considerar este ponto. Este tipo de benefício é mais valorizado por startups em early-stage.

O importante é construir um mix interessante de benefícios para o estágio das startups que você está mirando!

Vamos presenciar um número cada vez maior de empresas criando iniciativas de engajamento com startups e é natural que, com isso, outros mecanismos para atrair as startups, além dos citados acima, sejam criados. Construir sua reputação junto ao ecossistema de startups entregando o que prometeu é o básico.

Se a sua empresa tem ou está se preparando para ter um programa de engajamento com startups e quiser discutir quais benefícios oferecer, entre em contato com a Liga.

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